O ouro em sua forma mais pura é muito macio, por isso, na escala de dureza dos materiais, o ouro encontra-se no patamar mais baixo. O uso do ouro nessa condição é limitado, principalmente na joalheria. Tal maciez colabora para que as joias risquem ou amassem com maior facilidade. Como as joias são objetos para uso cotidiano, é imprescindível que tenham certa resistência e por essa razão que o ouro utilizado, não só em joias, mas também em relógios e outros artigos que demandem resistência, costuma estar ligado com outros metais.

No Brasil e alguns países de língua espanhola é comum chamar o ouro puro de ouro “fino”, enquanto na Europa costuma ser chamado ouro “mil” e nos Estado Unidos da América ouro “24 kilates”.

A quilatagem do ouro, representada pela letra K em maiúsculo, nada mais é do que a quantificação em uma escala da presença de outros minerais a liga. Essa escala vai de 1 a 24, sendo 24 a pureza mais alta. Também é utilizado a quantificação por 1000 partes, por exemplo: 750 que significa 750 partes de ouro para cada 1000 partes, ou seja, 75% de ouro para 25% de outros metais. É possível converter a escala de quilates em porcentagem, para tanto basta dividir a quilatagem do metal por 24, assim, um ouro de pureza 16K terá: 16/24= 0,666% de ouro. Dos padrões de quilatagem utilizados o mais comum no Brasil é o ouro 18K ou 0.750. Ainda que em menor quantidade, também são produzidas joias em ouro 10K. Nos EUA a quilatagem padrão de jóias é 14K, geralmente a pureza de 18K é usada em joias de alto padrão. Na Europa a quilatagem padrão é 18K, porém alguns países como Inglaterra utilizam muito o padrão de 9K, que inclusive já foi muito utilizado nos relógios da marca Rolex. No oriente médio é muito comum a confecção de joias em ouro 22K, esse grau de pureza é mais comumente achado em moedas, pois foi por muito tempo considerado o ouro padrão pela comunidade internacional.

Os metais ligados ao ouro irão influenciar sua coloração, dureza, densidade e em alguns casos até na resistência a corrosão. Por isso que uma barra de 100 gramas de ouro puro é muito mais compacta que uma barra de 100 gramas de ouro 18K, pois a densidade relativa baixa de acordo com a quantidade e tipo de ligas, fazendo com que a mesma massa do metal tenha mais volume. Diversos metais podem ser fundidos ao ouro, até mesmo polímeros, como é o caso do MagicGold desenvolvido pela fabricante de relógios Hublot, que trata-se de uma liga de ouro e cerâmica com alta resistência a arranhões. O Cobre, a prata, o paládio, o níquel e o zinco são os metais mais utilizados nas ligas de ouro. Como a dureza é afetada de acordo com o tipo e quantidade de liga utilizada, muitas partes de joias como pinos, tarraxas e fechos costumam ser confeccionados em ouro de outra cor, por exemplo, o relógio Rolex presidente de ouro amarelo apresenta seu fecho em ouro rosa, que é um ouro mais duro que o amarelo devido a maior presença de cobre, já as canetas tinteiro em geral possuem pena em ouro 18K amarelo com a ponta em ouro branco que é cerca de 50% mais duro que o ouro amarelo. A fim de esclarecer a influência das ligas sobre o ouro puro foi elaborada um tabela de Brinell para as ligas de ouro 18K, essa tabela indica a cor, a liga e a dureza correspondente a cada tipo de ouro, veja abaixo:

escala de brinell

Como vimos, o uso do ouro puro na joalheria, relojoaria e outros fins artesanais é limitado pela sua maciez. Há uma razão para a joia ou o objeto que você tem ter essa liga, também, não confunda ouro maciço com ouro puro, o fato de o ouro ser maciço apenas significa que é uma peça inteiramente feita de ouro, podendo ser de qualquer liga e não uma peça de metal com um banho ou capa de ouro.