A fibra de carbono é um material sintético produzido principalmente com filamentos de carbono. É extremamente leve e forte, não apresenta reações alergênicas e não oxida. Tais características fazem com que seja um ótimo material para fabricação de relógios.

Na relojoaria, como na maior parte dos campos, a fibra de carbono é um material muito recente. Os experimentos com esse material pela relojoaria iniciaram ainda na década de 1980, no entanto, foi somente nos anos 2000 que apareceram os primeiros relógios fabricados com este material. A Audemars Piguet reclama o posto de ser a primeira empresa a fabricar um relógio com caixa em fibra de carbono, o Royal Offshore Oak Allinghi Team de 2007, porém, no ano de 2005 a Bvlgari lançou o modelo Carbongold, um relógio cronógrafo de edição limitada com caixa em fibra de carbono.

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Bvlgari Carbongold Edição 2005 - O primeiro relógio com caixa em fribra de carbono a chegar ao mercado

Existem diferenças entre as diversas fibras de carbono utilizadas na indústria, pois as fibras de carbono são polímeros que geralmente são sintetizados a partir de material orgânico, mas existem fibras oriundas de materiais inorgânicos, e é este componente base determinará a leveza e resistência da fibra. Existem fibras de carbono sintetizadas do algodão, do bambu e até mesmo do cânhamo, como a fibra utilizada no carro Krestel. A fibra de carbono mais utilizada na indústria em geral é a derivada da poliacrilonitrila, que é um polímero de acrílico.

Todas as propriedades da fibra de carbono não seriam nada sem o epóxi. O epóxi é a resina responsável pela fusão das fibras do carbono, já que as fibras não se fundem entre si. Portanto, não existe uma fibra de carbono 100% carbono, todas demandam de ligas plásticas ou metálicas.

A produção das fibras de carbono é dividida em quatro etapas indispensáveis: polimerização por pirólise que é a extração do carbono a partir do superaquecimento da matéria base, geralmente esse processo chega a 2500 graus célsius; ciclização, método de esticamento dos polímeros para o eixo da fibra; oxidação, extração do hidrogênio e adição do oxigênio; e adição de reagente, quando o epóxi será adicionado para a moldagem das placas de carbono.

A fibra de carbono é um material muito resistente, sua resistência específica, ou seja, resistência por grama de material é 11 vezes maior do que a do titânio, isso considerando o titânio utilizado na relojoaria (geralmente grade 5) e considerando a fibra derivada da poliacrilonitrila, a mais comum na indústria. Também, a fibra é muito rígida, cerca de duas vezes e meia mais rígida que o alumínio. A fibra de carbono em si não é sensível a corrosão, no entanto determinados tipos de epóxi podem sofrer efeito dos raios UV. A resistência à tração da fibra de carbono é altíssima, chegando a ser cinco vezes maior que a do aço.

Para fins industriais a fibra de carbono é um material muito difundido. Aviação, indústria automobilística, e os fabricantes de itens de alto desempenho para atletas do ciclismo, tênis e até pesca, utilizam a muitos anos a fibra. Na relojoaria a fibra de carbono não é um material imprescindível e sim mais uma opção, como é um material muito leve e resistente o que pode agradar a muitos pelo conforto propiciado pelo baixo peso e pela resistência aos menos cuidadosos. Da mesma forma, desagrada a muitos por ser leve demais, sem limitada em opções de acabamento e muitas vezes lembrar plástico.

Hoje quase todos os fabricantes possuem relógios em sua coleção com a caixa ou algum componente em fibra de carbono. Constantemente vemos o material em mostradores de relógios com apelo automobilístico. No entanto, fabricantes mais conservadores como Patek Philippe, Vacheron e Constantin e Cartier são mais relutantes ao uso dos polímeros, até mesmo o próprio regulamento da “Poinçon de Genève” veta a utilização dos polímeros na caixa ou nos componentes do maquinário, restringindo sua aplicação a pulseiras.

Existem algumas pulseiras de relógio produzidas com revestimento em fibra de carbono, nesse caso trata-se de um tecido com as fibras, sem a fusão das mesmas por epóxi.

Quanto à aparência, a fibra de carbono geralmente é preta, em alguns casos, tem a aparência quadriculada ou pontilhada, isso por que antes de ser unida pelo epóxi são as fibras são tramadas como em um tecido, em outros casos, a fibra tem uma cor mais sólida, lembrando plástico, como no caso da caixa do Bvlgari Carbongold e algumas vezes com uma aparência marmorizada, como no caso do Audemars Piguet Royal Oak Offshore Allinghi. Existem alguns casos de fibra de carbono em outras cores, mas geralmente é um tingimento no epóxi. 

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Audemars Piguet Royal Oak Offshore Allinghi: uma liga com aspecto marmorizado

Existe outro material sendo empregado na indústria relojoeira pela Hublot denominado Texalium e que muitas pessoas erroneamente dizem ser a mesma fibra de carbono. O Texalium é uma malha de fibra de vidro coberta com uma finíssima camada de alumínio puro, esse material tem originalmente a cor prateada do alumínio. A apresentação deste material em outras cores se deve ao tratamento posterior com outros materiais, a cor azul é obtida com o uso de metilo, enquanto a cor negra é obtida com o uso de grafite. O material é produzido e patenteado pela empresa norte americana Hexcel.

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 Hublot Big Bang Unico Italia Independent: caixa manufaturada em Texalium